Primeiro começo por dizer o que não é o marketing digital: Por posts no Facebook ou fazer programação HTML. Por vezes podemos pensar que basta fazer a gestão das redes sociais ou saber programar um website para que a nossa empresa tenha marketing digital. Esta visão não é de todo verdadeira. O alcance e potencialidade do marketing digital são muito, muito, muito maiores.

Estamos numa era onde qualquer empresa com um computador, uma ligação à internet e alguma criatividade pode fazer frente às grandes marcas. Sem os custos e sem as limitações inerentes às lojas físicas é possível furar e penetrar no mercado duma maneira que antes era impossível: 24 horas dia x 7 dias por semana x o mundo inteiro. Claro que, como tudo, há o reverso da medalha: há mais concorrência, o público é mais exigente e a resposta ao cliente tem que ser mais rápida que nunca.

Muito resumidamente podemos dizer que o marketing digital é a criação duma estratégia e a implementação de táticas que:

1º Permitam descobrir onde estão os potenciais clientes

2º Permitam que eles nos encontrem quando precisam

3º Permitam a medição de todas as ações que tomamos.

1 – Descobrir onde estão os potenciais clientes

Com as ferramentas que o marketing digital põe ao nosso dispor é muito mais fácil procurar os nossos clientes e estudar a concorrência. Podemos saber quem são, o que fazem e como fazem. Usando ferramentas simples como o Google, Google Trends, Linked In, Facebook, o INE, observatório Cetelem, entre outros, é possível obter uma grande quantidade de dados sobre gostos, tendências ou ações dos consumidores e concorrência. Então o nosso primeiro passo no marketing digital deve ser conhecer o mercado: o que precisa, o que vende, o que tolera, o que exige…

Exemplo de prospeção: O marketeer duma empresa industrial pode começar por investigar os sites dos potenciais clientes. Nessa pesquisa obtém os contactos, vê o que vendem, lista os preços dos produtos e descobre os valores da empresa. De seguida pode dar um salto ao Facebook colocar um gosto e deixar uma mensagem de parabéns pela página. Se quiser aprofundar mais, vai ao Linked In e pede amizade às pessoas mais influentes da empresa potencialmente cliente (donos, técnicos, diretores de compras, etc.). Desta maneira vai criando uma base de dados e construindo relações de proximidade com as pessoas que realmente interessam. E se a empresa que quer vender tiver coisas importantes a dizer e postar os potenciais clientes irão seguir e respeita-la.

2 – Que os Clientes Nos Encontram Quando Precisam

Conrado Adolpho no seu livro os “8 p´s do Marketing Digital” inventou a palavra “encontrabilidade” para definir este passo. Sabemos que, atualmente, quase todas as pessoas procuram o que querem saber na internet. Também sabemos que, nas suas pesquisas, a maior parte dos internautas não passa da primeira página do motor de busca – mais facilmente mudamos os termos da pesquisa do que passamos para 2ª página. Por fim também sabemos que os consumidores acreditam que as empresas que aparecem em primeiro lugar nas pesquisas são as melhores. Cabe a cada marca lutar por aparecer na primeira página sem esquecer esquecer as 3 exigências das pessoas que navegam na internet:

Rapidez: Os consumidores estão habituados e querem ter tudo já, agora. Por isso tentem uma das grandes vantagens de uma empresa é conseguir entregar os produtos antes da concorrência. Também os sites devem carregar rapidamente e serem fáceis de navegar.

Credibilidade: Numa época onde nas relações comerciais o contacto humano é reduzido torna-se muito importante garantir a segurança da compra. Usem testemunhos de outros clientes, certificados, tentem ser recomendados por outros sites/blogs. Mostrem ao vosso cliente o que sabem e quão bem fazem.

Relevância: Não há muito tempo estávamos habituados a ler 100 páginas de um livro. Agora lemos 1 página de 100 sites. É muito importante prender o cliente logo no início senão ele ficará aborrecido e passará para outro site rapidamente. Seja direto, mostre imediatamente a vantagem de clicar naquele botão e coloque conteúdos informativos relativos ao uso dos produtos – se forem vídeos melhor.

Exemplo de Encontrabilidade: Imaginem que depois de pedirem amizade aos donos ou diretores de compras, dos vossos potenciais clientes, começam a colocar textos no vosso blogue com artigos informativos e interessantes. Depois convidam-nos a ler o post ou podem mesmo esperar que este passe na time line de uma das redes socias – cuidado com a hora em que espalham os posts. Desta maneira estão a começar a espalhar a marca. Por um lado estão onde o cliente está, por outro estão a mostrar preocupação com o cliente. Ou seja, estão a colocar a marca na cabeça dos clientes duma maneira relevante e não intrusiva. Mas não só: ao mesmo tempo estão a gerar tráfego para o site que, conjuntamente com uma estratégia SEO bem construída, permite aumentar o tempo de permanência no site e subir no ranking do Google. E isto aumenta a probabilidade de serem encontrados – Encontrabilidade.

3 – Medir Todas as Ações Que Tomamos

Por fim a métrica. Independente da dimensão do seu negócio há maneiras de medir tudo o que fazemos na internet. Desde as simples estatísticas do Facebook até à descoberta das melhores palavras-chave no Google Adwords há uma infinidade de ferramentas que nos permitem saber quase tudo: Qual o tipo (e linguagem) de post resultam melhor. A melhor hora para colocarmos os nossos anúncios. Percentagem de abertura e leitura das newsletters. Número de respostas ao direct mail. Taxa de conversão no site. Número de visualizações e click throw nos anúncios, etc, etc, etc.

Exemplo de Medição: Imaginem: Têm um site com loja online e conseguem saber tudo o que cada visitante faz. Imaginem que ficam a saber que há vários usuários que vêm os produtos, clicam no botão “comprar” mas, na hora da ação, desistem e não compram. Provavelmente muitos destes clientes andam só a testar ou a comparar preços. No entanto há outros que até gostariam de comprar mas algo não os deixou: ou porque não se sentiram seguros ou porque não perceberam o mecanismo ou porque não gostaram do preço. Agora imaginem que o vosso site, automaticamente, sabe isto e, passado 1 ou 2 dias, envia um email para estes oferecendo o produto pesquisado com um desconto. Imaginem ainda que o vosso programa sabe que este email não foi aberto. Então somos avisados para ligarmos ao cliente – é preciso criar estratégias para obtenção destes contactos – onde podemos explicar melhor o funcionamento do site e oferecer o desconto. Além disto podemos ir melhorando o site de acordo com as preferências dos consumidores. Bem, não precisam de imaginar pois isto é possível, basta conhecer as ferramentas certas e ter os bons parceiros – cada vez menos as empresas crescem isoladas.

Conclusão: O marketing digital é uma ferramenta simplesmente brutal. Se usada de acordo com a estratégia de marketing global permite a qualquer empresa conhecer o mercado, ganhar quota e fazer crescer a sua reputação. Também há perigos: facilmente podemos cair na desgraça. Somos vigiados pela concorrência e esta pode vir de qualquer lado. No entanto uma coisa é certa: apenas gerir redes sociais e perceber de linguagem html para fazer SEO é muito pouco para as potencialidades do marketing digital.

PS: Haveria ainda muito mais a dizer como programas de fidelização, CRM, venda cruzada mas fica para um próximo post.

Duarte Cardoso

3-5-2016

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